terça-feira, 8 de agosto de 2017

Um poema do cotidiano

Tinha um louco,
                um louco no meio da rua.

Ele balançava as pernas
                balançava como se tentasse tirar a loucura

(só que o balançar das pernas,
                não tirava a loucura de dentro do peito)

e ele ria.
                Ria com um tom de desespero

E os que passavam também riam,
                só que não era no mesmo tom – lhe garanto.

Eu mesma, não consegui rir
                fiquei apenas com o tom de desespero.

Eu até cheguei a balançar as pernas,
                mas o desespero também não saiu do meu peito.

No final, tinha dois loucos

                Dois loucos no meio da rua.


Quixabeira.

sábado, 5 de agosto de 2017

Refugiados na França: um soco no estômago

"Nós não somos perigosos, nós estamos em perigo"

Antônia,
                Como é fácil falarmos dos problemas com refugiados quando estamos tão longes da questão. Desde que começou a primavera árabe, e principalmente a guerra na Síria, milhares de pessoas imigraram das diversas regiões em conflito no oriente médio em direção a Europa. Dois lugares até próximos quando comparadas com a distância geográfica do Brasil, porém, duas realidades tão diferentes. Desde seu início acompanho toda a movimentação pelos noticiários e com coração apertado com cada noticia a qual eu lia.
                Recentemente percebi que é muito fácil ler tudo nos jornais da minha posição privilegiada de telespectadora longínqua da situação toda. Tudo mudou quando meu ponto de vista se alterou. Em minha visita a Paris, percebo que a realidade é muito mais doída do que consegui imaginar, muito mais trágica, muito mais triste e muito mais complicado de resolver.
                Não cabe em todos os 20 dedos que possuo, o número de famílias refugiadas que encontrei caminhando pelas ruas de Paris. Em maioria mulheres com suas crianças, paradas no meio das calçadas das mais diversas ruas parisienses com um pequeno copo de plástico ao lado de uma placa explicando a situação. Outras, famílias (aparentemente) completas, deitadas em colchões colocados nos cantinhos das calçadas, sem nenhuma plaquinha, mas de qualquer forma as placas não são necessárias para criar o efeito de soco no estômago que esse retrato sempre me causa.
                Em uma das noites mais frias que passei em Paris, em plena Champs-Elysse, a avenida orgulho de Paris, com suas enormes árvores, lojas caríssimas, turistas e restaurantes chiquérrimos, me deparo com uma senhora com as típicas vestimentas muçulmanas de cor preta, sentada sobre seus calcanhares. Seu olhar estava fixo em um ponto da parede a sua frente, mas seu olhar era vazio, como se não estivesse realmente ali, de vez em quando mexia os lábios, como se estivesse fazendo uma prece.
                E naquele instante eu também quis fazer uma prece, eu queria conseguir poder resolver toda essa situação. Porque eu tenho certeza que a realidade que aquelas famílias estão encontrando nas ruas de Paris, é bem, bem, bem, bem (...), bem melhor do que a situação de onde elas saíram. Apesar de meu desejo, tenho certeza que a situação toda está longe de acabar, mas de qualquer forma, quando passei por aquela senhora, eu também fiz uma prece.
Não sei o que aquela senhora pedia enquanto mexia os lábios, mas na minha eu implorei para qualquer Deus, qualquer entidade, qualquer ser ou força superior que se ela tivesse o poder, que ela ajudasse essas pessoas. Que estava liberado esquecer de mim por um tempo, que poderia deixar eu ir enfrentando a vida sozinha, mas que tirasse um tempo para cuidar daquelas pessoas que se encontravam ali.
                Que você também me ajude com a minha prece,

                               Quixabeira

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Vaso Quebrado

Tulipa,
                Escrevo por acumular uma magoa dentro de mim a qual não sei dar nome. E, em meu afã de ranca-la daqui de dentro, não tenho a ninguém a recorrer fora você, a própria pessoa que colocou a magoa. Que ironia, não é mesmo? Nos embolamos de tal forma, que não tenho outra pessoa sem ser você para compartilhar o porque de algo aqui dentro doer.
                Sei que não deveria estar lhe procurando, você não me quer da forma a qual eu posso me dar. E eu não consigo atingir a expectativa a qual você criou para a minha pessoa, afinal, sou tão humana quanto você. Talvez errei em buscar ser a melhor versão de mim, mas fiz por achar que você a merecia (e merece). Penso ultimamente que deveria ter começado com a minha pior versão, talvez agora você não se encontrasse decepcionada com o que tem.
                Escrevendo percebo que o que agora lhe irrita, era o que você antes elogiava. E o que agora me magoa, era e é a parte pela qual eu apaixonei. Novamente a ironia bate em nossa porta e ri deste vaso quebrado que viramos. E que tentamos colar, de novo e de novo e de novo e tantas vezes de novo que eu não sei mais contar. De qualquer forma não me apeteço de fazer a conta, eu tenho a certeza absoluta que irei tentar colar mais mil vezes se necessário, porque acho que realmente uma hora iremos conseguir.
                A questão chave de tudo é se: quando conseguirmos colarmos, as peças ainda vão estar reconhecíveis ? E se elas são perenes o suficiente para aguentar os nossos erros ao colar-las.  Já que pelo jeito que a carruagem prossegue, não vamos acertar tão cedo. E se quando conseguirmos será vamos achar que realmente valeu a pena? Do ponto o qual eu olho, as porcentagens estão no 50%, tanto para o ter achado que valeu a pena quanto para o não. Mas ao mesmo tempo, me recuso a acreditar que tudo que vivemos irá acabar por ali mesmo.
                Com a esperança de nos consertar o mais rápido possível,

                               Quixabeira

domingo, 21 de maio de 2017

Palavras malandras e a solidão


Estranho,
            Olá, saudades. Como você vai? Por onde andou? Criou novas histórias? Ou só viveu aquela vida rotineira que nos mata cada dia um pouco mais? Viveu novos amores? Encontrou novos sonhos? Realizou algum velho? Encontrou coisas novas? Queria saber sobre você, como eu disse logo no início: saudades. Não lhe culpo pelo sentimento, afinal, quem sumiu foi eu.
            Aliás, para falar a verdade quem sumiu não foi eu, foram as palavras. Acontece que sem elas, eu acabo sumindo por consequência. Essas palavras… Vou lhe falar, que malandras. Você sabia que as mesmas haviam me prometido viver para sempre ao meu lado? Eu achava que éramos assim, praticamente uma só. Mas não, me iludi com elas e essas promessas. Sem perceber que promessas feitas logo após noites de amor são muitas vezes vazias.
            De qualquer forma, sem elas, não pude me comunicar com você. Sem elas me sinto completamente vazia e sem muito o que comunicar. Escrevo não porque elas voltaram, mas foi porque prometi a mim mesma nunca parar de escrever. Vou força-las estarem comigo, mesmo quando não querem. Mas já li de outros escritores que as palavras são assim mesmo, essas malandras como eu disse. Fogem, voltam, fogem, voltam. E nós deixam na agonia sem nenhum pudor.             Isso que dá depende der alguém… Mas como eu disse, eu fiz uma promessa e estou aqui para cumpri-la.
            Não sei bem se você se lembra de nossa primeira carta, mas caso não lembre logo lhe falo: escrevi por solidão. Escrevi pedindo, clamando, implorando para que você pudesse me oferecer uma companhia pois eu me encontrava terrivelmente só. Estou aproveitando essa carta também para informar que não sofro mais dessa solidão imensa que antes me preenchia.
            Mas não se engane, isso não quer dizer que não preciso mais de você. Creio que construímos até mesmo uma bela amizade. Apenas significa que quero compartilhar com você esse feito novo em minha vida: o de não se sentir mais só. E agora acabei vendo que para uma pessoa sem suas palavras, eu até que escrevi muito. Assim que eu puder lhe mando outra carta contando tudo sobre não estar mais só.
            Com saudades,
                        Quixabeira


segunda-feira, 10 de abril de 2017

Um feminismo para todas



Allana,
Desde que entrei na faculdade passei a me considerar uma feminista. Sinceramente nunca me questionei muito sobre qual vertente eu seria, só foquei na questão de uma luta pela igualdade de gênero e em como eu poderia ajudar as mulheres a minha volta alcançar esse objetivo. Na caminhada desse objetivo percebi que o problema do feminismo é ser um movimento que nem sempre se faz entendido para junto todas as mulheres de nossa sociedade, por exemplo para aquelas fora da academia, para aquelas de fora de um contexto de questionamento.
Por conta disso, sempre considerei que qualquer tipo de divulgação do movimento com uma vista positiva era uma forma legal de divulgação é por isso deveria ser recebido de braços abertos. E essa minha ideia não é sempre muito bem aceita. Por exemplo: depois das denúncias de assédio do José Mayer, a Globo e várias atrizes globais lançaram a campanha: “Mexeu com uma, mexeu com todas.” E a frase ganhou as redes, apareceu em jornais de maior circulação, atrizes de todas as idades postaram em suas redes sociais, a maioria se sentiram comovidas e se dispuseram a divulgar a frase.
E daí surgiu um questionamento: Que “todas” é essa? Está incluída a mulher que limpa sua casa? A senhora que vende o café no ponto de ônibus? A vendedoras ambulantes?  As mulheres transexuais e travestis que sofrem ostracismo social? As negras? As lésbicas? As bissexuais? Quem está incluído nesse todas? E as perguntas são extremamente válidas, porque este feminismo branco e que vem da classe média alta/ricos é em seu início excludente. Porque vivemos em uma sociedade de um caráter excludente e individual. Mas mesmo assim, não acho que todo o movimento da frase deva perder sua validade pela a rasura a qual ela possui.
E ele não deve perder sua validade porque que é assim que vamos alcançando as pessoas que estão fora do ciclo onde o feminismo é divulgado, que muitas vezes acompanham somente as atrizes, o jornal nacional e outras mídias de grande circulação. E se de inicio o movimento é excludente, eu acredito que qualquer faísca de curiosidade que gera nessa mulher que não conseguimos alcançar, ou desconhece a luta por seus direitos, já é válida. Porque uma faísca pode virar fogo, aquela mulher que está lá longe pode de repente se questionar: “Como assim mexeu com uma, mexeu com todas? O que elas querem dizer com isso? ” e pesquisar sobre assunto para poder compreender melhor. E afinal, se queremos um feminismo que inclui não deveria ele estar alcançando essas mulheres? De que adianta dentro da academia pregarmos um feminismo inclusivo se não conseguimos alcançar as mulheres que por um motivo ou outro acabam não frequentando o meio académico?
Então, apesar de compreender e concordar com o feminismo pregado pelas grandes mídias acaba sendo raso, não acredito em sua invalidez. Se é por meio deles que iremos conseguir gerar um questionamento, alcançar mais mulheres e até mesmos mais homens, vamos trabalhar para que ele perca sua rasura e atinja reflexão crítica. Não vamos apenas criticar, vamos buscar acrescentar, vamos comentar nas postagens da grande mídia a ideia do feminismo inclusivo, vamos tentar despertar a faísca da curiosidade nas nossas colegas. Não adianta criticar se não nos propusemos a ser mudanças também dentro do contexto social que nos contempla.
Obrigada pela atenção,
Quixabeira



quarta-feira, 22 de março de 2017

Feito para ir embora


Marcos,
Existem pessoas que devem entrar na sua vida com algum tipo de objetivo predestinado. Elas possuem algum tipo de missão, que nem você e nem ela realmente sabe, mas que irá ser completada sem a necessidade da percepção do objetivo. E essa pessoa, ela vai entrar na sua vida, queira você sim ou não. É algo que está predestinado para acontecer, e em casos como esse, você não possui muita opção.
Quando essa pessoa entrar, parece que muitas coisas vão fazer sentido e de repente outro espectro da vida vai se abrir diante de tudo. E o ponta pé dessa nova porta que se abriu em sua vida, é exatamente a pessoa que logo, logo vai embora. Ela tinha um objetivo, e o objetivo quando cumprido, faz com que não importe o quanto você goste dessa pessoa, torne-a passageira.
Esse é o maior problema com pessoas que entram predestinadas em sua vida, parece que elas já possuem a data de saída. Existe algo que incomoda mais do que uma data de saída já estabelecida? Parece que se você não viver tudo o que há para viver com aquela pessoa durante aquele período, de alguma forma todo o relacionamento, o encontro, terá sido em vão.
Gosto de pensar então Marcos, que o tempo em que passamos juntos não foi em vão. Mas ao mesmo tempo em que faltou tanto a ser vivido que caso você volte para a minha vida, teremos muito mais histórias para fazer. Então, caso sinta-se inclinado a voltar, não se apeteça, volte, volte mesmo, volte no mesmo instante que o pensamento lhe passar na cabeça.
Como a partida é necessária, uma boa viagem. Lembre-se sempre de pegar a comida de graça que servirem no avião, comprar uma meia contra trombose, levar bons livros, aproveitar para dormir. Eita, não esquece seu remédio de enjoo e de que caso o avião balance, ele não vai cair. Acho que agora vem a recomendação mais importante: não esqueça de me enviar noticias, fotos, vídeos, qualquer coisa, só não suma.
Boa viagem e já estou com saudades,
Quixabeira

segunda-feira, 13 de março de 2017

Procrastinadora


Thaís,
Estou com um grande problema. Pensando bem “grande problema” é um pouco exagerado demais.  Vamos de novo: Thaís, eu estou com um problema.  Ele não é dos mais importantes do mundo nem dos mais sérios, mas de qualquer forma, para mim, é um problema.  Antes de adentrarmos direto a ele, vamos dar uma contextualizada para você não ficar confusa no meio da história, não tem nada pior que ficar confusa no meio de uma história.
Voltei das férias alguns quilos acima do que eu gostaria. Essa questão de peso já faz alguns anos que não me preocupo, enquanto meus exames de sangue estão dando normal vou seguindo a vida. Enfim, eu até esperava uns tico tico de quilo a mais afinal, comer duas barras de chocolate(no mínimo) por semana coisa boa é que não ia dar.
Enfim, voltando as aulas e percebendo esses quilos a mais resolvi dar um jeito, ficar reclamando de ter engordado e não correr atrás da solução não me adiantava de nada. Em uma horrível noite de calor, eu comentei com a minha mãe minha escolha: “mamãe, acho que está na hora de procurar uma nutricionista para voltar a caber nas minhas calças 42.”. Ela de modo bastante ofensivo concordou em menos de cinco segundos, afinal, mãe serve para aumentar nossa autoestima e ela me vem concordando que devo emagrecer com essa rapidez? Olhei torto, mas deixei quieto. Nós estamos na fase de lua de mel da saudade, aquela coisa que ainda não estamos brigando pois sentimos falta uma da outra durante os meses que estive fora.
Em um belo dia de chuva, ela comenta que só iria organizar a nutricionista próximo mês por conta daquele problema que muita gente anda tendo por aí... dinheiro. Okay, eu  deixei quieto e segui minha vida uma paçoquinha por dia, até que voltando as 19:00 da noite da faculdade essa mesma mãe, que alguns dias atrás me iludiu falando que só iriamos a nutricionista próximo mês, me disse que tínhamos consulta marcada para daqui uma hora. Assustei, afinal, achei que teria mais um mês despedindo das minhas queridas paçoquinhas.
Para cortar essa história mais curta e chegarmos ao problema pois percebo que estou me alongando, fui na nutricionista, falei minhas verdades todas para ela: “olha, não adianta por castanha do não sei o que na dieta que vou me recusar comer, também não inventa aquelas coisas para eu ficar cozinhando que não vou porque sou cansada demais para esse tipo de coisa.”. Junto com todas as minhas verdades prometi uma coisa horrível: próxima semana eu começo a academia. E aí está meu problema, porque vai fazer um mês e a única academia que ando fazendo é levantamento de maça.
Já fiz todo aquele processo que pessoas procrastinadoras: já olhei preço das academias que passo durante meu dia-a-dia, já fiz aula experimental, já flertei com os recepcionistas, já prometi que volto próxima semana, já fiz de tudo querida... Menos aquela coisa importante chamada matricula. O meu maior problema é que todos os horários das aulas que quero são na hora do meu francês e a hora que posso não tem aula nenhuma e descer ao nível de fazer algo tão chato quanto musculação... Aí que tristeza.
Com problemas  de procrastinação,
Quixabeira.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Corroída


A quem receber,
Quando você pensa em cometer suicídio é meio complicado, até porque muitas vezes o que você realmente quer matar parece não estar ali nas veias que pulsam sangue em seu pulso que você fica alisando com a gilete. Não, é algo que esta muito mais profunda e parece que não importa o quanto você retalhe a sua própria carne... Você não chega a onde realmente lhe incomoda.
De todas as vezes que já estive a beira da janela sem rede do meu quarto no nono andar do meu prédio, sempre senti que me espatifar no chão não estaria espatifando o que parece me corroer de tempos em tempos. E então todo o processo de cometer o suicídio seria um desperdício tremendo, afinal, eu morreria com essa coisa que existe aqui dentro e é exatamente isso que eu não quero. O que só me complica porque afinal como eu irei matar essa coisa antes que ela me mate?
O retalhar da carne não resolveu, o pensar no pulo não parece à solução. E cada dia essa coisa a qual nem nome eu sei dar está cada vez me corroendo mais. Na verdade já se foram tantos pedaços meus que ela comeu que eu já nem me lembro como era ser inteira. E, aliás, eu não sei quantos pedaços faltam. Será que um dia essa coisa irá conseguir corroer tudo dentro de mim? E se conseguir o que eu irei virar?
Se me perguntarem como isso começou se apoderar de mim, a minha resposta seria extremamente vaga e sem nexo algum assim como a maioria de meus pensamentos que me rodeiam em noites como essas. Onde nem a lua está fazendo questão de aparecer e a escuridão parece me rodear e se adentrar em mim sem pedir licença. Parto da ideia que noites melancólicas não foram feitas para se ter pensamentos dignos de repetição e ainda assim escrevo essa carta sem dono. A mania de errar, saber que esta errando, mas saber que não sou digna de fazer qualquer outra coisa a não ser cometer os erros.
Vou acabar colocando essa porcaria em um envelope e jogando em uma caixa de correio qualquer. Aquela que me parecer pertencer a uma boa leitora ou um bom leitor, só para me sentir que posso ser escutada. É... Noites melancólicas em que a coisa se apodera de mim não podem ser vividas perto de papel e caneta que logo já me vem a vontade boba de ser escutada. Agora, não basta cometer erros repetidos, ainda tenho que ser estúpida o bastante em achar que alguém iria querer me escutar quando irradio a escuridão que durante alguns dias existem dentro de mim.
Mas enfim, talvez eu tenha que continuar retalhando a carne e tentando cada vez mais chegar mais fundo, uma hora eu terei que chegar nessa coisa gulosa que tenho dentro de mim. Se isso não acontecer, a coisa gulosa fica comigo.  Sinceramente? Se eu for só a coisa gulosa que existe aqui dentro, prefiro nada ser.
Corroída,
Quixabeira.

sexta-feira, 3 de março de 2017

Dicas de filme e lugar

Olá pessoal,
                A dica de filme dessa semana é o “Jackie”, uma obra bastante emocionante que conta com a Natalie Portman como atriz principal. O filme é sobre os quatro dias corridos após o assassinato de John F. Kennedy, presidente dos Estados Unidos. O filme é um drama psicológico com seus enquadramentos das cenas, as musicas e a fotografia, tudo busca passar para o espectador os sentimentos que Jackie está sentindo no momento.  Caso queira saber um pouco mais do filme, logo abaixo temos o trailer.

                A dica de lugar essa semana é o Café Coreto, um lugar para lá de delicioso! O Café é muito bem localizado, do lado dos bloquinhos do Marista, o lugar é super confortável e o atendimento excelente. Uma dica minha é pedir um suco ou dos deliciosos cafés com um bolo de cenoura com cobertura de chocolate ou um cupcake na caneca. Se você comer uma vez você não irá conseguir ficar sem comer por muito tempo! Quer ver as fotos do lugar e de suas delicias? Acessa aqui o instagram deles.

quarta-feira, 1 de março de 2017

Doce amor





Olá doce amor,
Como vai? Bem? Como sempre falava estar? Eu estou bem. Não que você tenha perguntado, ou vá perguntar, mas já dou a resposta para evitar gastar palavras sem necessidade, sei como você sempre foi de pouquíssimas palavras. Escrevo para você depois de tantos anos, porque sinceramente em nenhum momento de nossa jornada achei que chegaríamos ao ponto em que chegamos em Fevereiro de 2013.
Começamos tudo tão apaixonados pela vida, pelo outro, pelo ar, pelos pássaros, pelas ruas... por tudo que nos rodeava. Você saberia me dizer o que aconteceu com a nossa relação? Foi do nada? Ou talvez não, talvez eu estava muito perdida dentro de mim que nem vi o fim vindo. Ou talvez foi por isso que o fim chegou. Esse negócio de não saber o que ocorreu só ferra com a sua mente, você fica matutando e matutando... Tentando descobrir a onde errou, mas parece que quanto mais você pensa pior as ideias ficam. Na minha opinião, este caminho é sem final e cheio de espinhos, e eu adoro percorrê-lo.
Abusando da sua boa vontade, saberia me dizer o que aconteceu conosco? Quando nós nos tornamos essa garota carente e este garoto cheio de silêncios ásperos. Em qual esquina do relacionamento viramos quem juramos que nunca seríamos? Deve ser por isso, não tem nada pior na vida do que falar que nunca será algo. Depois que você fala a palavra “nunca” é batata que você algum dia irá se tornar este algo o qual jurou nunca ser.
Fico triste pensando sobre o assunto, e eu estou tocando nele nesta carta apenas porque preciso fechar essa porta na minha vida. E infelizmente para fechá-la, acaba que tenho que incomodar você na sua nova vida. A vida pós-eu, falo isso sem ressentimento, prometo. Todos nós temos nossas vidas “pós” alguma pessoa, se é pós significa que aquela pessoa marcou nossa vida de tal forma que mudamos, depois dela somos um novo eu. Como pode perceber pela minha explicação, talvez eu esteja dando crédito demais para o nosso relacionamento, para mim, olhando bem para este parágrafo parece que eu nunca sarei definitivamente da carência extrema que desenvolvi em nossos anos juntos.
A nossa relação se tornou algo tão triste e patético no final: eu vivendo do seu áspero silêncio, você da minha ridícula carência e toda manhã sendo obrigados a olhar um para a cara do outro, trocar um beijo rotineiro sem graça nos lábios e murmurar um "eu te amo" tão sem vida, tão sem cor, tão sem sentimento, que parecia mais uma forma de pedir desculpa por não amar mais do que uma anunciação de um verdadeiro sentimento.
Com amor e uma pitada da eterna carência,
Quixabeira